ENTREVISTA
Especialização: De diferencial a Pré-Requisito.
- “Meu neto vai ser engenheiro, pergunte pra ele” – dizia meu avô a seus amigos no Clube dos Advogados de Araçatuba, interior de São Paulo.
Não contente com a conversa com os amigos advogados, ele me chamava e perguntava:
- “O que você vai querer ser?”.
Eu, inocentemente, respondia: - “engenheiro”.
Acredito que seria uma excelente escolha - como foi 12 anos depois - se eu estivesse na fase pré-vestibular com 17 anos, mas isso ocorreu quando eu tinha 06 anos de idade. Isso comprova mais ainda minha tese de que há cerca de 30 anos nossos pais procuravam interferir em nossas decisões para que viéssemos a fazer um dos cursos: Direito, Engenharia ou Medicina, pois eram carreiras diferenciadas. Com o passar do tempo as demais profissões, que eram discriminadas, se tornaram mais importantes, agravada com escassez de profissionais capacitados. Em contra partida, as três profissões começaram a ter excesso de profissionais no mercado. Essa situação acarretou no crescimento de novos e diferentes cursos de graduação, além de que os engenheiros, médicos e advogados precisaram especializar-se para que alcançassem os melhores postos nas empresas. Iniciava a procura por especialização e aperfeiçoamento contínuo. Concomitante a isso, os profissionais daquela época buscavam a estabilidade no emprego como o principal alvo de suas carreiras.
A partir do final dos anos 80 ainda era de extrema importância ser graduado para ter as melhores chances, porém esse panorama começou a alterar mais ainda quando as demais profissões começaram a sofrer com o inchaço de profissionais graduados. Dessa maneira o paradigma começou a ser outro em todas as profissões: “Preciso me especializar para ser diferenciado no mercado e poder ter sucesso em minha carreira”. Isso trouxe importância aos cursos de Pós-Graduação Lato Senso. O foco nessa época ainda era a estabilidade no emprego.
Todos os profissionais faziam as especializações de praxe em meados dos anos 90 quando surgiu a crescente demanda por especialização. O profissional precisava especializar-se inicialmente com cursos de Gestão Empresarial e afins, para poder ter uma carreira de sucesso em sua empresa. Esse foco, até certo ponto obsessivo, começou a abrir novas especializações, pois as empresas começaram a procurar gestores para projetos diferenciados. Nesse instante, o foco do profissional já não era manter-se em um emprego estável e sim num emprego que oferecesse chances de crescimento profissional – plano de carreira. A partir dessa época, o profissional deixou de defender somente a “camisa da empresa” e começou a engajar-se em um projeto com a necessidade de renovar os objetivos a cada momento. Nesse contexto cresceu a importância de novas carreiras a partir de especialistas, e surgiu a importância da inovação de cursos e carreiras que o mercado solicita.
Posso mostrar, como exemplo, o curso de Pós-Graduação em Perícia Ambiental, Judicial e Securitária. Curso que forma especialistas em perícia para um mercado a procura desses escassos profissionais. Os órgãos de classe fazem pesquisas com seus associados com o objetivo de conhecer os cursos que estão gerando expectativas e interesses para garantir melhores profissionais à sua sociedade local.
É de se imaginar que no futuro deverá haver uma necessidade de novos professores capacitados, gerando demanda nos cursos de mestrado e doutorado e criando uma constante atualização e inovação de conteúdo dos cursos de especialização. Hoje é pré-requisito ao profissional ter especialização. Será que apenas uma será suficiente no futuro? Vislumbre um futuro preparando-se com competência e qualidade. Na era do conhecimento, os primeiros serão os que irão sobreviver nesse mercado tão competitivo.
Prof. Eng. Carlos Eduardo Artioli Russo
Coordenador Geral de Pós Graduação do convênio UNICSUL/COMPANHIA DOS CURSOS
Especialista em Administração pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP-FGV)
Engenheiro Mecânico pela Faculdade de Engenharia Industrial (FEI)